Uma descrição será feita amanhã.

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Das barreiras

É difícil deixar alguém entrar quando vc passou tanto tempo expulsando quem tentasse. Difícil recolher as armas, abaixar os portões, acalmar tudo que em você grita “Perigo!”.

Leva um tempo para confiar e seguir junto depois de ter viciado a sua mente em um modus operandi que é o oposto disso. Tropeços, falhas, boicotes, medo: tá tudo ali.

Mas ali vc também pode encontrar uma mão estendida e a oferta pra um passeio acompanhado.

É preciso coragem pra aceitar essa mão. É preciso coragem pra sair do quartinho e se conectar com o que a vida tem de mais básico: imprevisibilidade.

Você tem?

I try to live alone
But lonely is so lonely alone
So human as I am
I had to give up my defences

So I smile and try to mean it
To make myself let go

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diálogos sobre o Closer (filme dissecado = spoillers)

Coincidência engraçada: tive uma entusiasmante conversa sobre o filme Closer com um amigo pelo msn. Ele fez vários comentários e, tendo discordado de alguns, fiquei com vontade de rever o filme. Pouco dps, ao desligar o computador e ir pra sala, encontro meu irmão e a namorada começando a assistir ao dvd do filme.

O post abaixo é um diálogo com esse http://umcorte.blogspot.com/2008/07/closer-perto-demais.html

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Rever esse filme me fez ter certeza que minha paixão por certos atores pode embaçar minha capacidade de analisar as tramas e olhar para outras personagens. Closer traz o mesmo Jude Law que já vi em vários outros papéis. Lindo, carismático, com um sotaque charmoso… basicamente o mesmo. Poderia ser o Gigolô Joel de A.I., o assassino frio de Estrada para a perdição ou o conquistador Alfie, mas, convenhamos, eu n enjoaria dele nem que ele se repetisse em mais 30 papéis.

Contracenando diretamente com ele está uma Natalie Portman pra lá de gostosa, com um rostinho de dar água na boca e, claro, um diretor que soube explorar essa beleza. Se isso fosse uma coluna gay, acho que escreveria o adjetivo “deslumbrante” para definir algumas cenas da sua personagem. É com o seu caminhar deslumbrante que a trama se inicia e é encerrada. Mesmo caminhar, mesma música (um parenteses para agradecer ao bom tempo em que não escuto a odiosa versão que o Seu Jorge/Ana Carolina fizeram de The blowers daughter, a música em questão) e uma metáfora para ciclos, retornos e repetições, que só poderia estar mais clara se colocassem uma legenda do tipo “assim como era no princípio, agora e sempre, Amém.”

Esses dois atores me cativam e os papéis que interpretam são diretamente afetados por isso. Por outro lado, demorei a dar atenção ao personagem interpretado por Clive Owen – o Dr. Larry –, por nunca ter gostado muito do ator. Há tempos coloquei no orkut uma das cenas protagonizadas por ele e que era minha cena favorita antes mesmo que eu a protagonizasse na vida real. Ainda assim, apenas hoje eu notei o quanto a sua personagem me cativa.

A trama de Closer se constrói explorando os medos e covardias, inseguranças e mentiras de quatro personagens que se cruzam. Meu amigo Apostador acredita que Alice, personagem de Natalie Portman é a única a dizer a verdade nessa trama. Eu, por outro lado, creio que só há uma personagem realmente forte e sincera e é o Dr. Larry. Através dele – constante observador da natureza humana –, tds os outros personagens são desnudados. Ele é o mais maduro, o que melhor administra seu desejo e é o único a ser verdadeiro em todos os momentos do filme.

Uma primeira visão sobre a trama pode dar a impressão de que sua personagem é machista, um tanto inocente, e mesmo cômica (sua primeira cena o é). Um contraponto com a personagem de Natalie Portman, impetuosa, decidida e forte. Mas revendo o filme, n me restam dúvidas de que Larry é a personagem mais equilibrada e forte daquele universo.

Apostador defende que Alice é a mais sincera, mas ela se esconde atrás de uma personagem durante quase toda a trama. Seu verdadeiro nome é Jane, mas é como Alice que ela viverá um relacionamento de quatro anos com Dan (Jude Law). É um ideal de personagem que reflete certa filosofia do “quanto mais ferido, mais paredes eu levanto”, e esse, definitivamente, é um pensamento que me incomoda. Uma exaltação de Alice como uma personagem forte e verdadeira, me soa como uma concordância com esse tipo de medo-cuidado que leva as pessoas a ficarem cada vez mais escondidas em seus castelos ou presas em seus quadrados, para repetir uma metáfora da qual gosto.

O filme não deixa dúvidas quanto ao amor dela pelo personagem do Jude Law: sua entrega é intensa e o amor, verdadeiro. Contudo, não há verdade ou esforço na relação entre os dois. O que ela pensa, pensa sozinha; o que ela sente, é dito em poucos momentos. Ela inicia essa relação com medo, usando uma máscara que permanece até o fim. Ouve seu namorado encantado pela fotógrafa Ana (Júlia Roberts – fraca, pra variar), mostra sua dor para a outra, mas não a expõe para Dan. Em um dos poucos momentos de sinceridade diz que “está esperando por ele (Dan): por ele abandona-la.” Imagina que será abandonada pq sabe do encanto de seu amado por outra mulher, no entanto, não fala a respeito. O que Dan recebe dela é a construção que ela faz do relacionamento, omitindo verdades e apresentando demandas que ele não satisfaz. “Ela não precisa de mim” é a explicação que ele lhe dá qnd ela pergunta o pq de estar sendo trocada.

Dan é um homem fraco, egoísta e vaidoso. Permanece com Alicia por covardia e vaidade, pois é apaixonado por Ana . Não supre as necessidades daquela e nem luta verdadeiramente pela outra: dps que termina com Ana por ter sido traído, se arrepende, busca o rival e acaba por seguir o conselho dele e retomar o amor de Alice. Em tds esses momentos parece uma criança mimada que não sabe ao certo o que fazer.

Quando volta para Alice sabe sobre a transa dela e de Laury, mas não fala sobre isso. Ao invés, finge desconhecer a verdade e a pressiona para que ela conte a verdadeira história. Alguns podem afirmar que era direito dele querer ouvir a verdade, assim como o Dr. Laury quis ouvir as mais íntimas confissões da fotógrafa. Outros podem dizer que Alice não seria perdoada e que por medo, era compreensível que mentisse. Podem dizer ainda, que testa-la daquela forma era pura vaidade nenhum amor. Essas questões, pra mim, são secundárias: o que essa trama revela é um quadro de egoísmo e medo no qual não é possível se travar relação alguma. Cada um pensa e define os porquês do outro sem se conhecerem de fato. Alice, antes de confessar anuncia que falará a verdade e que ele, então, poderá odia-la e deixa-la pra sempre. É desconcertante para ela qnd ele diz que já sabia e que a perdoa. Ela, por sua vez, o abandona em seguida, dizendo que já não o ama.

Se Dan é o egoísta que, como disse Larry, n entende que amor é comprometimento – e isso é o mais importante a se saber –, Alice não fica muito distante. Entrega-se de uma forma infantil, pois ela também é a criança da história, e vaidosa. Terminar com Dan permite que suas verdades sejam reafirmadas e o jogo continue, pois ela não pode correr o risco de ser abandonada. Ela dá as cartas, ela abandona, como disse ao namorado. E o problema será sempre o outro.

Falando brevemente sobre a Júlia Roberts: sua personagem é a mais anêmica e sem graça da trama, casando perfeitamente com sua capacidade artística. Ana é uma mulher deprimida e que, como é comum, cultiva sua infelicidade. Não tem um desejo realmente forte e é facilmente levada pela correnteza. Td bem que era uma correnteza Jude Law e uma correnteza Clive Owen, mas…

Retomando meu ponto: Dr. Larry é o personagem que se destaca dos demais. Ele sabe ler as outras personagens e, por isso, é o que se saí melhor. Reconhece a máscara empunhada por Alice, o medo de ser feliz de Ana, as fraquezas de Dan.

Mas, sobretudo, e o que mais me cativa nessa personagem, ainda q ogrinhos não me encantem, é ter um desejo realmente forte. Obsecado é como ele se define, em determinada cena. Eu o defino como o forte.

Enquanto os outros personagens são lançados uns aos outros, uns contra os outros, ele não se permite ficar à deriva; não constrói mentiras pra si mesmo ou para os outros. Conhecer o que se quer e permitir que seu desejo cresça a ponto de se tornar força motriz de suas ações pode originar uma obsessão, mas pode, também, funcionar como âncora frente à inconstância e medos alheios. Frente a um desejo realmente forte, só outros fortes não se curvam.

No fim da trama, só o Dr. Larry dorme.

uma das minha cenas preferidas.

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