Uma descrição será feita amanhã.

and a happy new year

A última noite do ano vem acompanhada de um balanço dos meses anteriores e, claro, tô baqueado.

Como disse há alguns dias, estou bem. Como ainda não disse, 2011 foi válido. Esse ano acaba sendo bem positivo, no balanço geral.

E mesmo com toda a merda que veio à tona, todos os momentos de angústia e tristeza… hoje tudo isso parece ter encontrado seu caminho, ter deixado aprendizado, etc. Não dá pra começar 2012 sem se sentir muito mais forte, muito mais seguro, muito maior.

Mas apesar do otimismo, não dá pra virar esse ano alegre. Muita coisa importante ficou pra trás. Três das maiores amizades que eu fiz nos últimos 4 anos ficaram pra trás. Equívocos, grandes vacilos, falta de diálogo e mágoas acumuladas; traições, fraqueza e covardia; puro descaso e escrotice.

Cada relação, uma história. Cada relação, seus próprios erros. Várias intercessões.

2012 já está em andamento e parece começar melhor que 2011.

A tristeza é menor quando se é responsável pelo caminho tomado. E não é imobilizadora, não é anti-vida. Faz parte.

Vida que segue.

 

 

Dezembro

Uma amiga hoje disse que é visível como eu estou bem, passando uma sensação de felicidade, de transbordamento.

De fato. Vida em movimento, gavetas esvaziadas e nós desfeitos ajudam.

Tô livre de algumas correntes que eu continuava a forjar e fortalecer desde muito cedo. Devo ter falado aqui: acho que estive apaixonado por alguém desde a minha primeira série primária, e agora… nada. Não tem paixão, não tem angústia, não tem ilusão, não tem fantasia, não tem frustração programada.

Tem vida e vontade de tê-la em melhor qualidade. Tem movimento e otimismo.

Algumas relações ruins também foram deixadas de lado, bem como certos comportamentos que, se não estão totalmente extirpados, não andam dando muito as caras. É caminho, é processo. Não é a mágica que eu sempre desejo que aconteça, mas estamos indo a pé mesmo.

O ano novo é uma longa segunda-feira cheia de possibilidades. Dezembro é a noite anterior.

Sobre a procrastinação dos objetivos, hoje andam prevalecendo a vontade de organização e a consciência de que uma boa Segunda já começa no Domingo.

∆ = b² – 4ac

Preciso retomar um hábito abandonado há mais de três anos e já antes muito mal praticado: estudar.

Decidi há tempos que aprovação num concurso público prum cargo burocrático qualquer é A saída pra esse momento pós faculdade onde não há a menor intenção de trabalhar com o que me formei.

Concurso que me interessava: Ancine. Concurso mais próximo e q me interessou: INSS.

Beleza, vamos lá. Decidi que é isso mesmo e que eu vou estar estudando, vou estar me preparando e vou estar passando. (Gerundismo é o que andam merecendo essas deliberações proteladas)

Entrei num curso preparatório na semana passada. zzzz

Nos últimos tempos de faculdade nem as aulas eletivas de Psicologia conseguiam prender minha atenção por muito tempo. Em algum lugar entre o terceiro ano e o terceiro semestre de faculdade ficar sentado numa sala de aula se tornou algo perto do insuportável.  Meu pouco interesse pelo que está sendo dito não ajuda, as pessoas que estão comigo não ajudam, as cadeiras não ajudam, a forma como o conteúdo é trabalhado… tô indo embora.

E não precisava muito estar em aulas, né? Fui perdendo o hábito.

Mas que gostoso, não estou estudando pra me livrar de uma prova no fim do bimestre. Tenho que garantir uma aprovação num concurso. Estudar pra valer coisas como direito previdenciário, ética, portugês e ~~ A T U A L I D A D E S ~~. (Atualidades, gente? sério?)

E o melhor claro, fica por conta da matemática e do raciocínio lógico. Sei nem por onde começar a ilustrar esse quadro. Matemática tá   lá na minha quinta série se ligando à um dos meus comportamentos mais antigos e automatizados: é uma grande dificuldade? escolha morrer, fugir, desistir, deixar inacabado, se revoltar… resistência, acima de tudo.

Maaas, 24 anos, algum tempo de terapia, o desejo de mudar… olha que chance de crescimento, encarar uma dificuldade antiga já sem os fantasmas ou o peso que tinham antes, mas ainda assim uma dificuldade e tal. Sei. Matemática, que coisa bacana.

Opa! mas se eu tenho tanto problema com matemática pq não escolhi um concurso que não tivesse matemática? Pq eu sou ansioso, acabo sendo desatento e em tds as 4 vezes que li as matérias cobradas ignorei que tinha matemática. Sério. Leitura seletiva.

“Olha, cai Português, Ética, Informática, Direito não sei o que, Lei não sei qual…Já é, é isso mesmo vou me matricular num curso, vou fazer, vamos lá.”

“Deixa eu ver de novo como é o esquema. Cai Português, Ética, Informática, Direito não sei o que, Lei não sei qual.. CARALHO, CAI MATEMÁTICA NESSA PORRA?!?”

Mas aí eu já tinha decidido fazer.

Old habits die hard

                                                                                                                                                                                             Old habits die hard
Hard enough to feel the pain

Há quem goste de mudanças. Quem se divirta quebrando paredes, planejando novos quartos, ocupando lugares transitórios. Eu não.

Não é que eu não goste de viver coisas novas, ocupar espaços diferentes, me ver transformado. O processo de mudança é que é o problema. Todas as incertezas do lugar-que-ainda-não-é.

Caminhar através da mudança, construí-la e viver esse período de desconforto sempre foram um problema. Medo frequente, desde os primeiros aterradores meses em uma escola. Eu tinha 3,5 anos e chorava TODO dia na porta do colégio. Normal, minha mãe me deixando, gente estranha… chato é ter chorado em praticamente todas as mudanças significativas dos anos seguintes e evitado todas as outras que eu podia.

Quebrar uma parede sem a certeza de que a luz vai melhorar. Assumir uma nova posição, um importante compromisso sem a segurança de que o resultado vai ser positivo. Sem segurança, sem grandes certezas. Ponto importante. Começar a mudança hoje, sem qualquer garantia de ser bem-sucedido ou ficar confortável. Investir energia e esforço.

Comprometimento e investimento energético nas mudanças nunca foram muito frequentes. E isso, claro, resultou em uma vida cheia de permanências excessivamente longas e aflitivas. A maior parte das minhas mudanças ou se deram pelo acaso ou foram decididas nas coxas da vida.

Acaso. É impossível evitá-lo e besteira mesmo tentar, mas deixar uma vida inteira por conta dele é certeza de angústia. Ele até pode te proteger enquanto você andar distraído, mas o preço não vale, camarada.

Ensaio agora uma postura diferente: estar ativamente nas mudanças. Não só receber as que são inevitáveis, mas ser responsável pela criação de tantas outras. Desenhar as alterações na planta do edifício… quebrar as paredes… erguer as novas de acordo com minha vontade.

O verbo é ensaio. Não há grandes garantias de que eu não vá fechar os olhos outra vez, perder contato com tudo que está se passando e viver pelo acaso. São mais de vinte anos agindo exatamente de uma mesma forma, automática. Velhos hábitos são difíceis de transformar.

Mas os olhos estão abertos. É um começo.

Respirar é desejar

Viver não tá dando onda.

Vida é maneiro quando tá preenchida com alguma coisa que tu goste. Em momentos de transição, reformatação ou mudança as coisas podem ficar bem ruins.

É que tenho me sentido mais vazio que panela de comida na Etiópia. E vazio pesa. No vazio não dá pra respirar direito.

O peito sobe com dificuldade e com dificuldade são encaradas as coisas mais simples.

Cumprir um compromisso, cuidar de si mesmo, mudar uma rotina.

Pesado.

Uma máquina desejante funcionando em baixa potência.

They are just like me.

Há uns dias uma mãe decidiu fazer um relato sobre a possível homossexualidade do seu filho, uma criança de 6 anos. Muito bacana.

*

“Mommy, they are just like me.”

Meu filho mais velho tem seis anos e está apaixonado pela primeira vez. Está apaixonado pelo Blaine do Glee. Pros que não sabem, Blaine é um garoto… um garoto gay, o namorado de um dos personagens principais, Kurt.

Esse não é um amor do tipo “ele acha o Blaine muito legal”. É do tipo de amor em que ele olha em devaneio para uma foto do Blaine por meia hora e segue com um desejoso “Ele é tão lindo”

Ele ama o episódio em que os dois garotos se beijam. Meu filho chama as pessoas em outros comodos da casa pra ter certeza de que elas não perderão a sua “parte favorita”. Ele rebobina e assiste de novo… e também obriga os outros a rever se achar que as pessoas não estavam prestando atenção suficiente.

Essa paixão excessiva não preocupa a mim ou ao pai dele. Vivemos numa vizinhança bem liberal, muitos de nossos amigos são gays e a ideia de ter um filho gay não é algo que incomode a nenhum de nós. Nosso filho será o que ele for, e é nosso dever ama-lo. Fim da história.

E também, ele tem seis anos. Pessoas de seis anos ficam obcecadas com todo tipo de coisa. Isso pode não significar absolutamente nada. Nós sempre brincamos que ou ele é gay ou nós temos o melhor material de chantagem da história humana quando ele for um garoto hetero de 16 anos. (Leve aquelas fotos da hora do banho!)

Então, no outro dia nós estávamos viajando pelo estado ouvindo o cd do Warblers (claro),  e no meio de Candles meu filho começou a falar do banco de trás:

“Mamãe, Kurt e Blaine são namorados,”

“Sim, eles são.”

“Eles não gostam de beijar garotas. Eles só beijam meninos.”

“É verdade.”

“Mamãe, eles são iguais a mim.”

“Isso é ótimo, querido. Você sabe que eu te amo de qualquer jeito?”

“Eu sei…” eu poderia ouvi-lo rolando os olhos pra mim. [uma tradução melhor, alguém?]

Quanto chegamos em casa eu recapitulei a conversa pro pai dele e nós simplesmente olhamos um nos olhos do outro por um momento.

Então ele sorriu.

“Então, se aos 16 ele quiser fazer um grande anúncio à mesa do jantar, nós podemos dizer ‘vc nos disse quando tinha 6. Passe as cenouras’ e ele ficará desapontado por termos roubado seu grande momento dramático”, meu marido disse com uma gargalhada e me abraçou.

Só o tempo vai dizer se meu filho é gay, mas se ele for, estou feliz que ele seja meu. Estou feliz que ele tenha nascido na nossa família. Uma família cheia de pessoas que vão ama-lo e aceita-lo. Pessoas que nunca irão querer que ele mude. Com pais que irão esperar pra dançar no casamento dele.

E eu tenho que admitir, Blaine seria um genro realmente fofo.

(Post original aqui: http://getstooobsessed.tumblr.com/post/9004061623/mommy-they-are-just-like-me-my-oldest-son-is)

**

Bonito, né? Outro dia eu pensava em como as histórias de saída do armário são sempre um assunto comum entre os gays e como dificilmente são memórias positivas. Garoto de sorte esse ae.

Um videozinho de humor sobre a cena preferida do garoto:

E os Warblers:

- E aí?

- Várias coisas. angústia, daddy issues, ego acariciado, cansaço, arrependimentos… E ae?

- Preocupadíssima com o meu the sims social. to sem dinheiro pra mobiliar meu quarto novo.

Quem nunca

Ele diz:

- Pô, cara.  Tem um tempo eu tava pegando uma garota e o irmão dela começou a me dar mole e tal. Ae ele me fez um boquete e tranquilo, né. Ae um pouco depois a gente tava numa festa, eu com meus amigos, já pegando uma outra mulher e tal e ele veio me puxar dizendo que queria falar comigo. “Beleza, pô, depois a gente conversa” “Não, te quero hoje!” “Tá maluco, cara. Dps a gente conversa.” Ae ele foi bebendo, ficou louco e toda hora vinha falar comigo. Mulé que tava comigo já achando ele um porre e meus amigos zuando, né, pq ele é beem feminino, dá mt pinta e tal. Muleque, depois ele chegou em mim bêbado, dizendo que tava apaixonado e queria sair comigo e não sei o quê… viajando, cara! (…) Nossa, cara. Que viagem… pô, vc é tranquilão e tal, por isso que eu curto sair contigo. Não tem essas viagens erradas ae.

Coloco minha bermuda, me divirto pensando no histórico de situações babacas que eu já protagonizei e faço o que qualquer pessoa normal faria:

- Nego perde a linha né, cara? É foda. Já passei por isso também. Tsc tsc.

Fiz uma pesquisa de opinião nas últimas duas semanas que, entre muitas outras coisas,  perguntava se o entrevistado era a favor ou contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Fiquei surpreso com a quantidade de senhoras católicas dizendo ser a favor do casamento. Sério, sorrisos.

Mas claro que peguei MUITA gente contrária. De muita gente conservadora era fácil prever um padrão nas respostas: NÂO para união homoafetiva, para liberação da maconha e para legalização do aborto e um SIM vibrante para pena de morte. (essas perguntas vinham em sequência).

O nem-sempre-engraçado de fazer pesquisa é que alguns entrevistados se empolgam, falam demais, fazem stand-up, se justificam muito, quando tudo que eu quero é um sim/não, bom-ótimo-regular-ruim-péssimo.

Uma das coisas mais estúpidas dos nossos dias é gente que se pretende razoável e racional ser contra união civil entre homossexuais. Acredite nas suas tolices religiosas, seja preconceituoso, tenha uma mente limitada. Mas não ignore coisas básicas dos Direitos Humanos e espere ser considerado razoável. Casamento deve ser um direito dos cidadãos e não um privilégio dos heteros.

Ser contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo é estúpido como se esses heteros tivessem medo de acabarem forçadas a casarem com um gay. É estúpido como se as pessoas achassem que há meios de extinguir a homossexualidade. É estúpido como se as pessoas achassem que existe um deus todo-poderoso legislando sobre práticas sexuais, condutas morais e… ah é.

A pergunta era: O senhor é a favor ou contra a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo?

1. Cara de 40 e poucos anos. Recife. (e outros)

“De jeito nenhum. Isso é safadeza dessa gente.”

2. Mulher de uns quarenta e tantos anos. Professora e de alguma cidade do interior de Pernambuco.

“Olha… isso eu não sou muito a favor não. Pq hoje a gente entenda que tenham gays, mas como vai explicar isso pras crianças na sala de aula? Pq a gente ensina que deus criou tudo, o homem e a mulher , um pro outro e que o sexo é pra reprodução… embora agora parece que tão provando que quando vc é gay já nasce com uma cabeça… os genes, né? do outro sexo. ae eu não sei como é que a gente ensina isso pra uma criança se deus fez homem e mulher. mas não sei, entende? é difícil ser contra ou a favor pq eu não posso julgar, mas não acho certo por causa da igreja, mas é assim, hoje meu filho faz um ano que morreu e eu estaria muito feliz se ele fosse gay e estivesse vivo aqui agora. eu não me importaria se ele fosse gay, se pelo menos estivesse aqui agora…”

E eu com cara de Q? tentando entender se ela já tinha se decidido entre o sim e o não.

“então, assim… acho que eu não vou ser contra, sabe? pq se pelo menos meu filho ainda estivesse aqui comigo…”

3. Mulher, 38 anos, jeitinho de boba, evangélica. Na Paraíba.

“Olha, eu não sou a favor, né? Não é certo. Mas eu AMO todos os gays! Tenho vários amigos gays e, vc entende, né? Jesus AMA o pecador, mas não pode amar o pecado. Eu não acho que seja certo… você ficou vermelhinho!”

claro que eu tinha ficado vermelho. pessoa começa com esse papinho de “amo-mas-não-é-certo” e eu já esboço um sorriso enquanto repito mentalmente “muuula. estúpidaaa. imbecil.”  e tenho que segurar o riso de deboche. Fiz o resto da entrevista toda meio vermelho.

4. Senhora de uns 40 e tantos anos. Favela em Pernambuco.

“DEUS ME LIVREEEE! ISSO NÃO PODE!”

começa a ACARICIAR OS PEITOS e dar uns pulinhos, J U R O!

“Prefiro ter um monte de filha puta que dance assim por ae do que ter filho viaaaado!!”

-” HAHAH, né mãinha? Isso não tá certo!” – se intromete a filha.

A filha: cara de 15 anos e grávida.

Parabéns.

Do bom senso.

O clichê: amigo vivendo aquela história pouco vista de paixão por um cara hétero.

Segue: respostas ora positivas, ora negativas e por vezes um comportamento “não tô entendendo  do que se trata“.

Fecha: amigo atinge aquele momento de cansaço + lucidez + cuidado que resultam em afastamento. Claro que o surgimento de uma namorada na vida do heterocara sempre ajuda.

Situação não era um segredo, mas meu amigo vai lá e faz o óbvio: se afasta do cara, lembra-o dos pqs e beijo, vida que segue.

E sem que se espere o cara volta a buscar contato, pede pra ser adicionado no facebook, pede pro meu amigo ficar online, etc. Comenta que terminou o namoro. E como é de clichês que se escreve essa história, meu amigo retoma contato.

E na mesma hora em que foi adicionado, o que esse carinha fez? Perguntou a opinião sobre uma carta que estava escrevendo pra namorada. Queria mt retomar o namoro e tal.

Acho  I N C R Í V E L.

Sério, eu não entendo. Eu já vivi coisas parecidas, de pedir simplesmente pro cara parar de me atualizar da vida sexual dele e a resposta ser um relatório ainda mais detalhado. Eu não entendo. Não sei se é burrice ou sacanagem.  É pouco provável que esses caras não tenham NENHUM outro amigo pra quem contar, pra quem pedir conselhos.

Uma vez já me disseram que era pra me fazer transformar o que eu sentia. me dar um estalo, fazer eu partir pra outra. Não sei que escolas ensinaram essas pessoas a lidar com esse tipo de situação, mas espero que elas sejam fechadas.

Se é estupidez, agressão deliberada ou outra coisa, eu não tenho certeza, mas talvez seja só uma resposta à altura do nosso ponto de partida: que bom senso há nessas paixões?

E que bom senso há em qualquer outra paixão?

Do fracasso.

Temiam tanto o insucesso que acabaram por fazer do medo sua morada e da desistência sua prática.

Nisso foram bem sucedidos.

Hoje é dia do Orgulho LGBT e o Blogueiras Feministas fez um dia de blogagem coletiva sobre o tema. Compartilho o post da minha amiga Bárbara.

Dia do Orgulho LGBT  Ser humano é ser possível, e assumir-se enquanto possibilidade demanda mais do que tudo coragem, e por isso mesmo gera muito orgulho. Read More

via …ou barbárie.

Facebook está sempre precisando de uma faxina. Aquilo já precisa ser organizado desde o momento em que se chega, mas depois de adicionar muita gente, a coisa piora muito

Facebook é o vamos marcar um encontro da turma antiga! que acaba sendo bem-sucedido. E, bem, tinham motivos pra esses encontros nunca acontecerem.

Fato é que um dos mais úteis recursos do Facebook são as listas de contatos. Além de escolher ler as atualizações só de determinada lista, vc ainda pode compartilhar conteúdo apenas com um grupo e PRINCIPAL: vc pode escolher com que grupos que falar no chat.

Até onde eu sei não é possível ocultar ou bloquear algum contato no chat, mas com o uso de listas vc pode criar um limbo todo especial pros contatos que vc tem, não pretende excluir mas dá uma choradinha a cada “qual é a boa?” com que eles aparecem.

Na página do seu mural fica a lista dos seus amigos e do lado do contador tem um link para editar. A partir desse link, no menu Amigos em destaque clique em Criar nova lista. Brinque.

De volta ao feed de notícias tem os dois grandes menus lá em cima: Principais notícias e Mais recentes. O menu mais recentes apresenta opções de leitura dos feeds: por atualizações de status,  fotos, links, páginas ou perguntas. Logo abaixo estão a(s) sua(s) lista(s).

Uma vez que vc clique em uma das listas, só os feeds dos amigos adicionados aparecerão. No canto superior direito fica o menu Editar listas, a partir do qual vc pode alterar o nome e adicionar mais pessoas.

Privacidade

Dps de criadas, as listas passam a ser reconhecidas como contatos e assim como vc pode permitir que uma publicação seja vista por pessoas específicas ou seja ocultada para outras, vc pode fazer isso com as listas sem precisar digitar os nomes um a um.

Embaixo da caixa do post, do lado esquerdo do botão Compartilhar tem um cadeado. Ele te dá as opções de compartilhamento para aquela postagem, independente das suas configurações globais. O último menu (Personalizar) traz as opções Tornar visível para e Ocultar para.

Tornar visível para – você pode compartilhar para amigos de amigos, somente amigos, somente-eu-querido-diário e, mais interessante, Pessoas Específicas, onde vc pode adicionar nome a nome os que podem ver seu post e/ou uma lista de contatos.

Ocultar para – escolhidas as opções acima, essa aqui fica óbvia. Novamente, as listas podem ser adicionadas como nomes de contatos.

Você ainda pode fazer dessa a sua configuração padrão.

*

Chat

Agora que as listas foram criadas, os contatos aparecerão separados dentro da janela do chat. Vc pode ficar online apenas para determinado grupo e se esconder de todo o resto.

*

Bônus Track

Uma outra função que eu acho indispensável no facebook: ocultar. Em cada postagem recebida há um menu oculto (X) esperando pra ser utilizado. Você pode ocultar aquela publicação, aplicativos como aquele ou toda a existência da pessoa que o enviou.

Libertador.

E nem adianta vir com o papo de não aceitar qualquer um pra evitar o problema. Todo mundo tem um vizinho, um parente ou um colega com quem não quer se indispor, não quer ser indelicado, mas acha um saco o tipo de coisa que ele compartilha.

Orkutismos, joguinhos, deus, deus deus, jesus, jesus, jesus, entre outras coisas = ocultar todas as publicações.

E a paz e harmonia se estabelecem entre os homens de boa vontade.

O que Jesus não faria.

Reunião de planejamento entre o Todo Poderoso e seus anjos.

Vou sair pra trabalhar em algumas horas e deveria estar dormindo. Deveria ter dormido. Trabalhar com pesquisa, interagindo com pessoas, se esforçando para 1. ser compreendido e 2. acabar o mais rápido possível, fica muito mais difícil quando se está cansado.

Mas, tamo ae, fazendo o que nos leva à merda. Vou nem falar de todo o erro q foi ficar na minha casa – distante de onde preciso estar logo cedo – ao invés de ter caído na casa de uma amiga. Uma vez aqui, podia ter corrido pra cama, mas tinha uma coisinha rápida pra fazer pela internet. e meu telefone tocou. e durou uma hora. e eu ainda tinha uma coisinha pra fazer aqui.

Quando vim dormir, tinha músicas martelando na cabeça, ideias pedindo pra serem escritas, preocupação com o dia de trabalho que creio, será tenso e

claro que não vou apelar pra rivotril só posso dormir um pouco e 0,5 mg já me faz querer dormir 9 horas mas será que n deveria tomar e dormir mais rápido? ou também posso só parar de pensar nisso fazer os exercícios respiratórios e esperar que o sono chegue amanhã deve fazer sol não posso esquecer de pôr o protetor solar. maneiro que a natália vá pegar o mesmo ônibus e a gente vá conversando é sábado tem festa e eu tenho que ver se alguém legal ficou de fora. festa quinta também e a sessão de curtas na quarta tenho que ver no que vou realmente mas n sei se devo dormir fora amanhã… cacete eu devia estar dormindo será que vale mais eu não dormir pq já que eu n terei minhas oito horas é melhor nem dormir muito menos, mas será que isso é assim mesmo ou eu vou ficar pior não consigo me decidir aposto que já tô aqui há uma hora vou sair comer e escrever.

Uma hora disso.

Saí, comi, voltei. Não quis escrever. Conversei um pouco e decidi dormir. Nem. Voltei e meu blog tem um post novo.

Quanto mais eu fico na cama, mais perto estou de dormir? Mas e se dormir um pouco for pior que n ter dormido nada? Melhor compensar esse sono depois?

Compensar sono: ideia estúpida. Mas saber disso ainda não muda muita coisa. Fico ae, nas quebradas da madruga.

*

Me lembrei disso aqui:

A banda mais bonita da cidade de hoje foi o novo vídeo promocional da VIVO, quase um “literal version” de Eduardo e Mônica. Pintou no twitter, virou TT e em meia hora 321 pessoas já tinham amado, chorado, achado lindo, fofo e “fooooda!”  lá no facebook.

Achei zzzzz. É bonito, bem feito e se vc lembrar que é uma propaganda, mais méritos ainda, pq é bem sutil. Mas nem no meu atual estado emocional tão à flor da pele qualquer beijo de novela me faz chorar deu pra curtir. E, bem, quem está falando é o cara que realmente tem chorado por tudo. De RJTV à filme dos Mamonas Assassinas.

É que acho Eduardo e Mônica uma bela duma bosta.

Claro, como fã da banda eu já adorei essa música. Foi uma das primeiras, inclusive. Ouvia essa, Geração Coca-cola e Faroeste Caboclo no Mais do Mesmo. Costumava pular todas as outras.

Mas eu tinha nove anos.

Já concordei e concordo com muita coisa do discurso feminista, já fui esotérico ~~CURTINDO~~ a face Mãe da Deusa na wicca e já passei por uma faculdade de humanas. Cresci, felizmente. Hj em dia esse tipo de construção só me dá preguiça.

Mônica, a Mulher: madura, intelectual, experiente, séria, focada, VI.VI.DA. Hipster. Esotérica. Mala.

Eduardo, o garoto: bobão.

Feminismo exagerado é machismo às avessas. É tosco. Aquela coisa As Brumas de Avalon com seu exemplos extremos: o homem com mais valores positivos = um gay, mal resolvido, ~~complicadinho~~ e que termina virando padre.  Anne Rice também tem um pouco disso, esse feminismo chato dos anos 70, 80 que localizam no pau o mal do mundo. Mas tb faz crítica disso (“A Rainha dos Condenados”).

“Hmm… vou fazer minha própria versão da história do Rei Artur. Um Lancelot gay, um rei Artur que curta a três… hum, genial!”

Eduardo tava lá, sendo o garoto bobo que seus 16 anos permitiam e essa velha foi à caça. Um garoto de 16 anos e uma mulher mais velha querendo dar pra ele. Quem não cai nessa?

O que vemos a partir daí é só o Horror. Mônica suga a juventude e força do Eduardo, transforma seus hábitos, muda seus gostos. Cabelo grande? Papo esotérico? Teatro e ARTESANATO? Meu deus, a mulher levou o cara pra fazer ARTESANATO!

Senhor Meritíssimo, fica claro que a senhora Mônica deve ser condenada em qualquer botiquim psicanálitico por ser uma frustrada controladora. Na impossibilidade de possuir um pênis, se esforça em castrar seu homem.

E Eduardo? Sem culpas. Que adolescente nunca confundiu sexo garantido com amor? E sabe-se lá o quanto ele precisava de uma mãe. O garoto jogava futebol de botão (!) com o avô. O quão tediosa devia ser essa vida…

Imaginem a Mônica hoje: A-D-O-R-O-U O Fabuloso Destino de Amelie Poulan. Adora os filmes cabeça dos Wood Allen e a forma como ele parece ~~ENTENDERzzzz~~ as neuroses humanas. Mônica encheu o saco de todo mundo no facebook quando apareceu a Banda Mais Bonita da Cidade. Mônica dança jogando os cabelos e causando como quem não quer causar. Pq ela tem estilo e ~~INDEPENDÊNCIA~~, sabe?

Oi! sou uma mala!

Eduardo, carinha gente boa, bonito, ainda n se decidiu sobrer História, Psicologia, Jornalismo. Aluno do Pedro II. Adolescente. Acaba numa dessas festas estranhas cheias de gente esquisita pq uma amiga qualquer o arrastou. Pronto. Mônica, a caçadora de adolescentes o pegou.

Pobre Eduardo.

*

A música e o vídeo da VIVO se entendem muito bem nesse “”feminismo”" tosco.

Na música é o filho do Eduardo que fica de recuperação. É homem, parecido com o pai. Burrinho.

No vídeo, a menina desde cedo já desponta: tem uns 4 centímetros a mais que o irmão gêmeo.

**

Vou dizer o que acontece dps:

- Eduardo acorda pra vida e percebe que mais do que uma mãe, precisava de uma companheira, de pensar com a própria cabeça e ser dono de suas experiências. Vai embora de casa e deixa Mônica com as crianças e os malditos puffs de garrafa pet que aprendeu naquelas aulas de artesanato. Ela fica ouvindo o disco Gota D’água do Chico e total identificação. Sofre e tudo é culpa é dele. Afinal, ela se deu! Esperou por ele! Moldou o que ele é hoje! Pegou Eduardo quando ele era o quê? Só um muleque bobo de 16 anos.

Ou

- Eduardo não acorda. É conveniente ficar sendo cuidado e se o preço disso é ver Lars von Trier, ouvir Cordel do Fogo Encantado e mal ver os amigos do Pedro II, paciência. Quando perguntado ele diz que é feliz, mas volta e meia pensa em tudo que deixou de fazer e tem vontade de mandar todo mundo tomar no cu. O pior pra ele é ouvir Mônica dizendo o que pode ou não pode ser visto pelos filhos, que jogos podem ou não ser jogado. Uma mala.

Eduardo tem vontade de morrer a cada novo foundue de casal que Mônica resolve fazer.

*

Uma boa leitura dessa música: http://www.screamyell.com.br/mais/traduzida.html

Marley e eu perde.

Acabei de ver o “Não gosto dos meninos“, curta brasileiro inspirado no projeto It Gets Better. Até os dez primeiros minutos eu já tinha chorado por Junho inteiro.

Impossível não se identificar em várias histórias. Impossível não lembrar de como os monstros eram gigantescos e como toda possibilidade de Vida era encoberta por eles. Impossível não lembrar do medo, da vergonha, do nó na garganta e das noites desejando que as coisas fossem diferentes, normais, fáceis.

E impossível não lembrar dos gestos de carinho e compreensão e como eles ajudaram – e ajudam – a firmar-se melhor, a desenvolver autoestima, respeito, autonomia.

Minha única crítica é que o filme poderia ter trazido algumas histórias mais dolorosas ou apresentar mais enfaticamente algumas dessas passagens.  Acho que nenhum dos entrevistados aponta um conflito de grandes proporções com a família ou mesmo um caso de violência grande e para quem vive esse tipo de experiências, a identificação seguida pela mensagem de que as coisas vão melhorar e se tornar menos complicadas é muito mais valiosa.

Do projeto original:

Nos últimos dias eu escrevi mais do que nos últimos 3 meses; bolei dois blogs e 35 posts; estive presente e animado em 3 eventos; organizei o quarto depois de semanas; andei rindo pelos cantos e fiz mais exercícios físicos do que acharia possível há um mês. Também achei a vida divertida e boa.

e tudo isso seria mt bom se n rolasse um medo da maré virar qnd eu estiver bem no meio da produção de algo.

“O fundo do poço é igual à boca do poço, só que é diferente. No fundo do poço tudo parece continuar na mesma. Os dias se sucedem, os problemas e os livros na mesinha de cabeceira se acumulam, as contas chegam, o elevador para para manutenção, chove e faz sol como a meteorologia é servida. A aparência de normalidade é tão angustiante que dá vontade de gritar. Para quem está no fundo do poço, “normalidade” é um estado que não existe. Problemas e contratempos que, na superfície, têm enorme significado, passam a acontecer num universo paralelo, sem substância. No fundo do poço nada tem importância além do que realmente importa: a pedra no peito, o medo de pensar, o pavor do silêncio, a ausência de sinais de vida verdadeira.

O ar é pesado no fundo do poço, mais ou menos como a água que, em mergulhos profundos, é tão pesada que achata as bolhas de ar. Quem já esteve no mar sabe como é. É por isso que, no fundo do poço, às vezes até respirar dói.

O mundo e as pessoas são diferentes vistos do fundo do poço; os gestos – ou a ausência deles – ganham dimensões às vezes amplificadas, às vezes distorcidas, como imagens vistas à distância num deserto escaldante. Por outro lado, se há uma vantagem no fundo do poço, é a nitidez com que se percebem os sentimentos, nossos e dos outros. Amigos próximos que não dão sinal de vida talvez não sejam tão amigos ou tão próximos; conhecidos distantes, às vezes até geograficamente, revelam-se surpreendentemente próximos. No fundo do poço, qualquer carinho reverbera nas paredes e, como um eco, é por elas amplificado; um abraço mais apertado, um olhar que diz “Estou aqui”, um email. O silêncio, inversamente, escorre poço abaixo, como uma gosma gelada, criando dúvidas e distâncias onde, em circunstâncias normais, nada existiria. Mas, eu não sei se já disse, no fundo do poço não há circunstâncias normais.

A vida não para no fundo do poço, mas se torna bastante difícil. Acordar é uma decisão penosa, e muitas vezes inútil: acorda-se na cama para pouco depois se adormecer no sofá. Nos dias bons dorme-se o tempo todo no fundo do poço, um sono pesado e sem sonhos. Nos dias ruins quase não se dorme, porque basta fechar os olhos para que os sonhos se transformem em pesadelos. Os dias bons, felizmente, são maioria.

No fundo do poço o cérebro é, na melhor das hipóteses, um orgão inútil. Não serve para nada. É incapaz de se lembrar de um nome, de um número ou de tarefas a cumprir. Não consegue se concentrar o suficiente para a leitura de um livro, ou para que um filme faça sentido: no fundo do poço, um filme é apenas uma sucessão de imagens desconexas e desinteressantes, incapazes de segurar o olhar. Reduzido ao seu nível mais primário de funcionamento, o cérebro serve apenas para executar tarefas simples, como jogar Angry Birds ou subir fotos para o Instagram. Mas não me entendam mal: um cérebro imprestável desses é uma benção, porque nos dias em que funciona como deveria, o cérebro é a mais eficiente máquina de lembranças e pensamentos torturantes.

Nada vale a pena no fundo do poço: sair de casa, andar pela cidade, ir ao shopping, criar ikebanas, montar quebra-cabeças. Dizem que exercício ajuda, mas para fazer exercício é preciso chegar à academia, e para chegar à academia é preciso sair de casa – sair de casa sendo, talvez, uma das coisas mais difíceis de se executar no fundo do poço. Até encontrar os amigos é complicado, porque as conversas se tornam tão difíceis de acompanhar quanto a atmosfera feliz que costuma reger tais encontros. Viajar quebra um pouco essa rotina asfixiante, mas na verdade não resolve nada, apenas leva o fundo do poço para outra paisagem.

Os gatos sabem o que é o fundo do poço e evitam perder seu bípede de vista. Fazem turnos de colo e de demonstrações de afeto e, à noite, esquecem suas eventuais divergências para dormir todos juntos na cama, formando uma pequena barreira de bigodes contra os maus espíritos.

O fundo do poço tem poder. Quanto mais tempo se passa no fundo do poço, mais tempo se passa no fundo do poço. Lutar contra o fundo do poço é praticamente impossível. Pode-se fugir dele por pequenos intervalos de tempo, com simulacros mínimos de normalidade: acender bastõezinhos de incenso, fazer as unhas, passar hidratante, cortar o cabelo, usar perfume. Não adianta nada, mas despista.

Só se pode ver o fundo do poço com a ajuda da indústria farmacêutica. A seco, o fundo do poço aperta o coração, corta a respiração e vira um buraco negro de dimensões e conseqüências inimagináveis. Um tarja preta bem receitado permite, porém, que se veja o fundo do poço como ele é – como se nos víssemos a nós mesmos de um outro plano, uma outra dimensão. O fundo do poço não desaparece, mas torna-se compreensível, uma esfinge enfim decifrada.

Não se consegue chorar no fundo do poço.

(O Globo, Segundo Caderno, 31.3.2011)

onde eu assino?

Rotina

Dormir o mais tarde possível (no momento são seis da manhã). Acordar tarde, ir direto pro almoço, dormir em seguida. Tomar alguma coisa pra ter mais sono e se angustiar menos. Dar uma olhada em e-mails, enviar currículos. Vontade de trabalhar tá um pouco maior que a vontade de viver. Cuidar de alguma coisa da casa. Normalmente os roedores. Zanzar perdido. Tinham coisas pra serem feitas. Mas não tô bem e tô pouco me lixando se tudo der errado e eu for convidado a me retirar da vida. W.O.

Chegou a noite? O mesmo do resto do dia: zanzar sem saber o que fazer ou ficar parado sem saber o que fazer. Comer. Comer é bom pra preencher vazios. Como na proporção do que eu sinto: grosseiramente. Olho pra barriga crescente e pros planos de vida saudável. aham. Sono. Não gosto dessa novela nova. Voltar pro computador. Redes sociais. Stalkear. Evitar stalkear. Desgaste. Piadinhas. Tentativa de distração (blogs, conversas). Não dá: redes sociais, mensagens instantâneas… tudo evoca lembrança, mesmo – e talvez principalmente -, a ausência nesses espaços. Desconectar-se.

Pornografia. Uma, duas, três vezes. Série. Filme. Ideias, muitas ideias. Tento escrever. Tento planejar. Cansado e ansioso. Estico a noite. Algumas horas para que mais um amanhã de angústias chegue. Mas por enquanto eu consigo ficar um pouco mais tranquilo. Às vezes, depois que já estou bem esgotado, deixo de sentir a urgência habitual, a saudade, os erros. Já quase consegui me desconectar, virar lembrança. A vida é também silêncio e calma, nem que arrancados pelo cansaço de deus sabe quantas lágrimas. Uma hora tudo para. E é só respiração. Paciência. Cansaço. Serenidade. Quase isso.

E em breve acontece uma manhã diferente. Um pensamento diferente, um distanciamento da dor, da angústia. E uma nova pequena disposição, um novo pequeno movimento. Inicialmente lentos, aos poucos se multiplicam em outros campos, dão gás pra novas ações, trazem nova vida.

O segredo principal continua sendo o mais antigo: dar tempo ao tempo. Tentar não pirar no enquanto. Evitar fazer grandes merdas. Respirar. Se alienar. Tomar uma droga qualquer. Refletir. Esperar. Mudar o foco. Se ocupar. Tudo diz o mesmo: as coisas mudam, tente aguentar.

Dirão que eu já não sou o de antes e que essas águas também são outras. A história é diferente, vc é diferente. Aprendizado e mudança. Evolução. É disso que falam(os) e é isso que usam(os) para amenizar a dor de cada novo velho equívoco.

Por hora podem levar seus rios inéditos e homens mudados para a puta que pariu. Sinto-me como um homem girando em seu próprio eixo e voltando, cambaleante e tonto para o ponto de partida. Mudam-se os ferros apenas pra marcar com um estilo diferente e mais profundamente um texto já conhecido.

Quem nunca?

A dor é parecida, as escolhas que me apresentam são semelhantes à outras já tomadas e eu não lembro delas terem sido boas. E é tanta coisa. Tristeza, desgaste, a culpa velha amiga, arrependimento (de que, mesmo?), raiva, saudade, autodepreciação, vazio, rejeição, planos de morte (esses que só duram até a gaveta das facas cegas), abandono, estagnação.

Lá. De volta. Outra vez.

Mas eu eu vou seguir. Sempre sigo. Eventualmente ficarei bem. Cicatrizes, mas inteiro. Essa massa de falta, tristeza, desespero… ela pesa na carne, afunda no estomâgo, engessa, atrasa.

Mas eu vou seguir. e essa é a verdade que precisa sair da cabeça e se enraizar no corpo. “Vida que segue!“, como foi aconselhado.

Work me, Janis

 

Every day I keep trying to move forward,
But something is driving me, oh, back,
Honey, something’s trying to hold on to me,
To my way of life.

 

Acabei de ter um daqueles momentos quase místicos em que vc acha que deve ter um deus flutuando por aí,  inspirando pessoas. E se há algo como um deus ou uma Inteligência vagando aqui e ali, é na arte que Ela se manifesta com mais clareza.

Duas da manhã, a mente voltada para as dolorosas questões que eu não posso resolver agora, seleciono uma música ao acaso.

Work me, Lord.

Deus. Que música maravilhosa. Que voz. Que pancada. Vontade de abraçar amigos, tomar uma cerveja acompanhado, andar de madrugada…

Comecei a rir com todas essas sensações. Parei. Ri de novo. Me emocionei bizarramente. Lá pela terceira vez eu já tava com o rosto banhado de lágrimas. Mesmo que chorar não esteja sendo algo mt raro, dessa vez foi uma sensação diferente, algo positivo. Melancolia doce. Uma tristeza não imobilizadora. É difícil ficar engessado frente à algo tão fuderosamente lindo.

Simplesmente quero sair por ae. Em algum momento eu vou seguir, vou continuar e vou estar melhor.

* e é engraçado ser tocado tão intensamente pela Janis. Se não fosse ela eu tlvz nem existisse: meu pai era fã e, rezam as histórias, se interessou primeiramente pela minha mãe pq via uma semelhança qualquer entre as duas.